Retrospectiva 2016: março

A retrospectiva 2016 retorna ao mês de março. Logo na primeira semana do mês, a delegação brasileira lutava a primeira competição qualificatória para os Jogos Olímpicos Rio 2016. A seletiva pan-americana classificava os dois melhores atletas de cada categoria olímpica. Atletas já classificados para Rio 2016 não participavam do torneio, caso de Aline Silva, classificada em 2015, no Mundial de Las Vegas. O wrestling feminino brilhou. A primeira a conquistar vaga foi Joice Silva, categoria até 58kg. Medalhista de ouro nos Jogos Pan-americanos de 2015, Joice cruzou com a equatoriana Lisset Antes, uma adversária que até então não conseguira derrotar, justamente na semifinal. Joice venceu a luta decisiva e de quebra aplicou o encostamento sobre a rival. E Joice se tornaria a primeira atleta mulher a disputar duas edições de Jogos Olímpicos.

Na sequência foi a vez de Lais Nunes. Na semana anterior, Lais conquistara a medalha de ouro no Pan-americano, mas para conseguir a vaga olímpica precisaria ao menos repetir o desempenho e voltar a uma final.  Com um double leg avassalador, Lais avançou até a luta semifinal contra a venezuelana Nathaly Herrera. A vitória por 10 a 2 fez a goiana de Barro Alto se tornar a mais jovem atleta a representar o Brasil em uma edição de Jogos Olímpicos. Na última categoria envolvendo brasileiras, o sorteio apontou Gilda Oliveira na semifinal do torneio contra a mexicana Diana Gonzalez. Em uma luta truncada, Gilda Oliveira contra-atacou a rival e abriu 2 a 0 no placar. Com o tempo ao seu lado, Gilda administrou a luta e mesmo sofrendo duas punições, a brasileira venceu no critério de desempate pelo golpe de maior valor aplicado.

Mas o sucesso brasileiro não se resumiria ao time feminino. A vaga no estilo greco-romano veio de maneira improvável, Eduard Soghomonyan não foi liberado pelos médicos do torneio para lutar, em virtude de erupções cutâneas. Antoine Jaoude que lutou na categoria até 125kg do estilo livre masculino representou o Brasil também na categoria até 130kg. Um acordo entre a Confederação e os atletas era que em caso de vitória da vaga realizaria uma seletiva com Eduard, uma vez que a ausência se deu por motivos clínicos, como previa o critério olímpico da Confederação. Antoine encostou o hondurenho Randy Martinez e depois fez 7 a 1 para classificar o Brasil para os Jogos Olímpicos e colocar o estilo greco-romano brasileiro de volta aos Jogos Olímpicos, depois de 24 anos. O resultado da seletiva entre Eduard e Antoine relembraremos no mês de julho.

As quatro classificações somadas a de Aline Silva fizeram o Brasil bater o recorde de atletas classificados para uma edição de Jogos Olímpicos. Todas as vagas foram obtidas em torneios, ou seja, sem convite ou vaga por ser país-sede. Outro dado que confirma a evolução nacional foi a campanha de outros três atletas no qualificatório pan-americano. Ângelo Moreira até 75kg e Ronisson Brandão até 85kg, ambos do estilo greco-romano foram superados apenas na luta decisiva, mesma situação de Susana Santos até 48kg do wrestling feminino.

*Foto: Arquivo CBW